segunda-feira, 8 de setembro de 2008

À Aphrodite, a dos que amam


Olhe daí, e veja: não há muitos.
As macieiras estão cheias;
Repletas de seu fruto.
Se perderam todos e ninguém te vê.
Ninguém te busca, mas eu ainda.
Ouvi minha voz de choro e súplica.
Envia teu filho.
Fá-lo ferir a quem não tenho.
Pois ainda sei servir-te
Nestes dias cinzentos, com cheiro de diesel.
Não te esqueças de mim, ó Kypria.
Deucalião e Noé foram salvos.
Vocês os defenderam por serem dos únicos.
Eles riem de mim, que construo navio em deserto.
Tu, filha do mar, envia-me água para eu navegar.

Correm atrás de mim.
Paus e pedras.
Querem me catequizar.
Vendas e rédeas.
Me fazem decorar o credo.
Fazer que sim com a cabeça.
Tirar-me de Ti, Aphrodite.
Esquecer teus ensinos.
Queimam as macieiras, as roseiras.
Não tem apoio.
Me fazem crer que estou errado.
Não ao paganismo.
Bem fez ela, comeu e pronto.
Maçã?
Ainda acredito em você.
Seus feitos e tal.
Confio e espero, te sigo de perto.
Salva teu filho.
Me dê um par de olhos.
Com olhos nos olhos.
E eu replantarei as macieiras e as roseiras.
E restaurarei seu templo

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

E eu vim de Vênus


"Homens são de Marte e mulheres são de Vênus”, mas, às vezes, as coisas correm um pouco fora dos trilhos construídos pelo ser humano. As coisas correm seguindo um fluxo completamente diferente, traçado pela própria natureza. Nós só entendemos daquilo que caminha nos trilhos e nada mais. O que vem da natureza, por não entendermos, repudiamos. Medo.

Alguns meninos têm, em Vênus, sua terra natal. São filhos desta terra, frutos dela. Assim como algumas meninas são marcianas por excelência. Isso não é pra ser entendido, nem mesmo discutido, mas vivido. Não há o que questionar. É e ponto.

Quando eu nasci, houve festa. Doutor Manuel, que já tinha sabia o sexo pela ultra-som, disse à minha mãe, só depois da cesariana: “É um meninão!” Ela sorriu a grandes dentes. Finalmente: depois de duas meninas, numa gravidez quase impossível, o menino tão sonhado. Meu pai ficou muito contente e tal, bebeu meu “mijo” junto com meu padrinho e tios. Um menino, um varão. Um marciano nato. Mas eles não repararam que eu tinha, e tenho, olhos de âmbar, como bem diria Homero, se me visse. No princípio, eu até podia ser sem forma e vazio e até mesmo ter cara de joelho, mas meus olhos, ah meus olhos. Esses nunca enganaram ninguém...