
Olhe daí, e veja: não há muitos.
As macieiras estão cheias;
Repletas de seu fruto.
Se perderam todos e ninguém te vê.
Ninguém te busca, mas eu ainda.
Ouvi minha voz de choro e súplica.
Envia teu filho.
Fá-lo ferir a quem não tenho.
Pois ainda sei servir-te
Nestes dias cinzentos, com cheiro de diesel.
Não te esqueças de mim, ó Kypria.
Deucalião e Noé foram salvos.
Vocês os defenderam por serem dos únicos.
Eles riem de mim, que construo navio em deserto.
Tu, filha do mar, envia-me água para eu navegar.

Correm atrás de mim.
Paus e pedras.
Querem me catequizar.
Vendas e rédeas.
Me fazem decorar o credo.
Fazer que sim com a cabeça.
Tirar-me de Ti, Aphrodite.
Esquecer teus ensinos.
Queimam as macieiras, as roseiras.
Não tem apoio.
Me fazem crer que estou errado.
Não ao paganismo.
Bem fez ela, comeu e pronto.
Maçã?
Ainda acredito em você.
Seus feitos e tal.
Confio e espero, te sigo de perto.
Salva teu filho.
Me dê um par de olhos.
Com olhos nos olhos.
E eu replantarei as macieiras e as roseiras.
E restaurarei seu templo

